A importância das redes sociais

By Gabi Magnani, May 5, 2012 12:49 am

Ainda é um pouco assustador quando paramos para pensar no quanto a internet já mudou o mundo. A facilidade, a acessibilidade e a interação entre vários países está conseguindo alterar o que, há pouco tempo, nem era visto. O que nós temos em mãos hoje é uma arma muito forte que pode derrubar qualquer governo, qualquer norma, qualquer política.

Já parou para pensar que, antes, para que o povo fosse ouvido, era necessário uma reunião de muita gente com o mesmo interesse em um local específico? Era necessário tempo, esforço e muitas vezes sangue para fazer os protestos, para reivindicar direitos. E como passar uma ideia de um lugar para outro? Como eles poderiam saber se mais pessoas pensavam o mesmo se muitos dos meios de comunicação eram vigiados? Se muitos eram mortos por terem ideias revolucionárias, por irem contra os interesses de quem estava no poder?

O único tipo de meio que tínhamos para saber o que acontecia eram aqueles que não permitiam a interação do público. Programas televisivos e jornais impressos não eram o suficiente para saber a verdade: eram, muitas vezes, comprados pelo governo. Só podia se falar bem dos políticos e elogiar a progressão do país. Mesmo que os jornalistas quisessem, não podiam dizer o que pensavam. As pessoas, ou a “massa”, aceitava de forma passiva o que ouvia. Afinal, se não conseguimos debater sobre o que vemos, parece que a opinião demonstrada é unânime. Era difícil imaginar o que era “manipular” mentes. Pior era adivinhar que omitir um pedacinho da história poderia acusar inocentes e inocentar os culpados.

O governo fazia a mídia. E a mídia fazia a população. Assim, é muito fácil controlar as revoluções. É muito fácil deixar as pessoas pensando que tudo está indo para o caminho certo. Mas, agora, com a internet, as redes sociais e os fóruns online, é possível mudar essa situação. Como qualquer pessoa, e não só um jornalista profissional, pode falar o que quiser, sobre o que for e onde seja, estamos cada vez mais perto da veracidade dos acontecimentos. Se você for analisar, o mesmo fato tem muitas opiniões e textos de vários autores, é debatido com frequência e, principalmente, é entendido e compartilhado pela população. Isso significa que o povo tem a sua voz no poder. Hoje, nós fazemos a mídia que muda a forma do governo de liderar. Governo nenhum fica de pé sem o respeito do povo. Governo nenhum resiste a protestos vindos de um país inteiro.

Mas, será que existe um lado ruim nisso? Quem tem melhor retórica vence. Os internautas desinformados compartilham nas redes sociais o que eles acham justo. Muitas vezes é mentira, muitas vezes é irrelevante. Se conseguíssemos usar a internet para compartilhar as informações certas, conseguiríamos melhorar o que quiséssemos: a educação, a saúde pública, as ruas, as leis. A solução é parar de tentar engolir qualquer coisa que chega e pesquisar mais antes de apoiar ou não uma causa. Lembrando que o governo e as empresas descobriram a força da internet antes de nós. Ideologias estão sendo manipuladas e compartilhadas por aí. Muita coisa que parece vir de pessoas comuns, tem o dedo dos políticos ou empresários. E para descobrir o que vale a pena? Ler antes de compartilhar. Ah, e dizer que ficar no Facebook nove horas por dia é ajudar o futuro do Brasil, não é desculpa. Vão estudar. Sério.

Dicas para organizar os horários

By Gabi Magnani, April 1, 2012 7:42 pm

Eu sempre procurava dicas sobre esse assunto em sites ou livros que ajudassem na organização, de modo que a rotina não ficasse pesada nem leve demais. O problema é que eu raramente achava algo eficiente, que eu não tenha terminado de ler e esquecido logo depois. Com o tempo, fui filtrando as dicas e hoje, sei as que me ajudaram a pensar de forma mais clara (e as reuni aqui). Bom, talvez sejam úteis para você, também. E não se tratam, apenas, de horários de estudos, e sim, de horários dedicados a cumprir seus objetivos. Se você quer alguma coisa, precisa de metas.

Vejam bem… por um lado, eu sou disciplinada. E por outro, desorganizada. O que eu quero dizer é que, se eu tiver metas, consigo manter o ritmo. Mas, se eu deixar a tarde livre, é improvável que eu consiga lembrar de tudo que tenho que fazer e acompanhar meu progresso (o que é importante para não desanimar, ainda mais nos casos de pré-vestibular). Então, aí vai a minha seleção:

1. Relaxe

Isso mesmo. Se você quer concluir o que quer que seja, tem que aprender a descansar a cabeça (leia mais sobre isso no texto “Descansar a cabeça também é importante“) e relaxar. Não adianta sair incluindo tudo o que você quer tentar na vida na primeira vez que for organizar o horário. Que dá tempo para fazer tudo, até que dá. Mas, vamos com calma. Afinal, se você não está acostumado a seguir uma rotina, incluir coisas pesadas é um pulo para cansar no primeiro mês.

2. Lembre-se dos prazos

Quando falamos de estudos, essa é uma das dicas mais importantes. Colocar as matérias de acordo com as aulas do dia é uma boa maneira de organizar os prazos (das provas, dos trabalhos a serem entregues, etc). Comprar uma agenda (ou ter uma online) é um jeito de não esquecer e incorporar os compromissos à rotina. Lembre-se também de deixar tempo o suficiente para cumprir as obrigações (nada de véspera, por mais fácil que pareça), já que às vezes você vai estar com dor de cabeça, vai ter que sair rápido, vai estar cansado(a), vai aparecer uma festa…

3. Faça o horário no Excel

Ou em qualquer programa. Fazer o horário em um papel à mão é um ótimo jeito de perder seu tempo. Pelo menos no meu caso, que mudo os horários toda semana para adaptá-los melhor aos imprevistos ou aos compromissos inadiáveis, é muito mais proveitoso fazer em um lugar onde eu possa mudar uma coisinha do dia sem ter que fazer a semana inteira de novo.

4. A primeira semana é a mais difícil

Tem aquela história de que se você conseguir manter uma ação por tantos dias, ela vira um hábito. É verdade. No começo, é um saco. Existem coisas que não são naturalmente prazerosas, como estudar ou fazer dieta, mas que com o tempo, você aprende a gostar e faz sem nem sentir. Então, force por um tempo e quando você menos esperar, estará cumprindo de olhos fechados.

5. Inclua as coisas divertidas

No meu horário, durante a semana, tem tempo para andar de bicicleta, ler, sair com minhas amigas, ir à praia, escrever no blog, pegar coreografias, correr, conversar no telefone, etc. Você não precisa escrever o que vai fazer (assim, a coisa divertida fica parecendo uma obrigação). Sugiro deixar o espaço em branco, como eu faço. Ah, e lembre-se que isso é essencial para continuar seguindo as metas, do jeitinho que planejou.

6. Não tenha medo de errar

Ninguém acerta o horário perfeito de primeira. Apenas faça uma tabela com as horas e os dias da semana, e espalhe o que você precisa fazer. De vez em quando, se você perceber que fica com preguiça de fazer tal coisa, então mude-a de dia. Talvez você decida que ter três horas de matemática seguidas ou uma semana inteira sem comer nenhum doce, seja muito pesado. Com o tempo, você vai perceber de que forma vai render mais. Então, sem medo. Seu horário sempre pode ser ajustado.

E nunca se esqueça:

“Sucesso é a soma de pequenos esforços, repetidos o tempo todo.”

Robert Collier

A Copa de 2014 vale a pena?

By Gabi Magnani, February 21, 2012 9:54 pm

Tenho lido muitos textos no Facebook, por exemplo, de pessoas que vêem ou sabem pouca coisa sobre o assunto e logo tomam um partido: por causa de alguns fatos, apoiam ou acham um absurdo. Na verdade, eu acho que a Copa 2014 pode, sim, ter um retorno positivo, mas nem por isso eu concordo que deveríamos investir tanto agora. Na maioria das críticas, os autores falam sobre a corrupção que acreditam estar envolvida na decisão de trazer a Copa para o Brasil e também da falta de atitude do governo de fazer uma votação mais democrática e aberta entre os brasileiros, afinal, se trata de uma coisa que nós estamos pagando e ainda não temos certeza sobre os benefícios.

O governo defende, no próprio site oficial da Copa 2014, que o investimento vale a pena, já que é previsto um grande número de turistas (500.000, segundo a VEJA). Diz, também, que serão criados novos empregos, movimentando o comércio e a economia do país. O problema, não discutido pelo governo, é que a margem de erro nesse número de turistas é considerável. Se tomarmos como exemplo a Alemanha e a Coréia do Sul, que só conseguiram 50% dos turistas previstos quando receberam uma Copa em seus países, ficaremos endividados: se o lucro não cobrir a despesa, o dinheiro utilizado não será reposto. E em quantas coisas poderíamos ter investido? Educação, saúde e outras obras relacionadas à infraestrutura ainda precisam de reparos. Quanto aos empregos, claro, é um grande problema no Brasil, atualmente. E apesar de gastarmos algum dinheiro a cada emprego novo, eu considero um dos melhores argumentos para a realização da Copa.

Outro fato do qual eu acho importante falar é a desatualização dos portais. Existem 5 portais que visam a transparência quanto aos gastos da Copa. São eles Controladoria Geral da União (CGU), Senado Federal, Tribunal de Contas da União (TCU), Ministério do Esporte e o Instituto Ethos (contando, ainda, com a ajuda do site Jogos Limpos). Foram criados para mostrar à população brasileira exatamente o quanto estamos pagando em impostos para a realização do evento. O problema é que, ao contrário disso, os cinco sites estão desatualizados e com valores diferentes entre si, o que é um prato cheio para a corrupção.

Além disso, pelo o que tenho pesquisado, o Brasil não tem, atualmente, estrutura o suficiente para um evento tão grande. O que a FIFA exige para o país onde as partidas serão disputadas é segurança e conforto no mesmo nível do que os estádios nos países desenvolvidos. Por exemplo, é obrigatório que os assentos estejam numerados, que tenha cobertura na arquibancada, ampliação nos estacionamentos, hospitais próximos, determinada capacidade para os espectadores nos estádios, área para a imprensa e mais alguns itens. Fora isso, o Brasil ainda precisa melhorar os meios de transportes, o aeroporto e ainda, algumas ruas. Ah, e também temos que cobrir as despesas das equipes que virão, e isso inclui pagar a estadia de 300 funcionários e convidados da FIFA, cuja lista de exigências ao país organizador inclui jatinhos, limusines e 400 automóveis.

O custo disso tudo? A princípio, eram 5 bilhões. Hoje, o governo prevê, mais ou menos, 33 bilhões. Mas, os especialistas que tentam acompanhar os gastos acham que ainda vai aumentar muito. Essa falta de previsão é um dos fatores mais revoltantes para a maioria dos brasileiros. A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) paga algumas coisas com o dinheiro dos patrocínios da seleção brasileira. No entanto, o valor destinado a infraestrutura vem do dinheiro público.

Bom, apesar de ter muitas desvantagens, é verdade que o fluxo de turistas vai aumentar (nem que seja a metade do esperado), e também um pouco da infraestrutura será revitalizada, já que estamos pagando por isso. Na minha opinião, acho que essa imagem que o governo quer impor ao Brasil para chamar mais turistas, poderia ser atingida de outro modo. O Brasil está crescendo, mesmo que devagar. Não estou dizendo que foi errado oferecer o Brasil como sede da Copa, mas acho que alguns fatores deveriam ter sido analisados com mais cautela. Alguns outros países como os Estados Unidos, por exemplo, conseguiriam fazer uma Copa sem nenhum gasto a mais do que eles já investem na estrutura, meios de transporte etc. Talvez o momento não tenha sido o adequado. Mas, eu ainda sou leiga no assunto e estou começando a me interessar por isso agora. Estou falando o que acho a partir do que li. Quem garante que não escolhi matérias e textos mais parciais ou que tenham autores com melhor escrita e argumentação? Isso, obviamente, influiria na minha opinião (que estou disposta a mudar frente a um argumento melhor).

E você, é a favor ou contra? Ou ainda não tem opinião formada? Deixe nos comentários o que você acha, assim posso ir melhorando cada vez mais a minha percepção dos fatos.

Fontes: INVESTIMENTOS da Copa de 2014 podem aumentar PIB e consumo do brasileiro. Veja, São Paulo, 02 dez. 2011. COPA do Mundo de 2014 (Perguntas e Respostas). Veja, São Paulo, Outubro 2011. FERNANDES, Ketllyn. Portais que visam transparência nos gastos estão desatualizados. Jornal Opção, Goiânia, 2012.

Só um post pós-férias

By Gabi Magnani, February 1, 2012 11:16 pm

Tá bom, resolvi organizar as coisas por aqui de uma vez. Depois de ter passado 2011 parcialmente abandonado, o blog vai voltar a receber uma ou duas atualizações por semana. Este ano está mais corrido do que o ano passado e com certeza bem menos do que o ano que vem. Mas eu decidi que o blog vai ficar e que eu vou arranjar algum tempo perdido na minha semana para ele.

Sabe aquele negócio de voltar para as aulas e a professora pedir uma redação sobre as férias… então, nunca aconteceu. É uma frustração só, gente! Então, já que não posso falar na escola, vou falar aqui.

Sobre a viagem? Posso falar mesmo? Estudante pré-ITA pode esquecer um pouco essa história e ir pra praia? Bom, só sei que eu fui para Florianópolis, minha cidade, como todos os anos. Minha família é enorme, mas deu para rever todo mundo. Passei a maior parte do tempo em uma cidade de praia bem pequena e deu para aproveitar muito e esquecer por um segundinho sobre a Engenharia (e a minha dúvida se é isso mesmo que eu quero…) e o ITA. Consegui terminar a “Sombra do Vento” (Carlos Ruiz Zafón) e estou relendo “Contato” (Carl Sagan), dois livros muito bons que eu posso dar um resuminho por aqui qualquer dia.

Mas, voltando às férias fora dos livros, conheci também uma balada bem famosa por lá (e que, já que a cidade é pequena, todo mundo aparece). Fomos todas as semanas em shows de rap, pagode, sertanejo, reggae, etc. Assim, pra começar o ano bem eclética. O que eu achei bem legal da parte das bandas é que sempre davam um jeitinho de colocar uma música do Raul Seixas ou do Queen. Aqui, em Recife, pelo pouco que conheço, as bandas não têm o costume de tocar algumas mais antiguinhas. O espaço de lá era bem legal, tinha uma parte aberta e uma fechada, espaço para as bandas e um outro para o DJ.

Também saíamos direto para a soverteria ou para um barzinho que é o point de lá nos fins de semana. E corremos na praia todos os dias no finalzinho da tarde. O combinado era às 6h30, mas não acordamos nenhuma vez. Quer dizer, acordamos. Para desligar o despertador e dormir de novo.

Então, além de sair um monte, correr na praia e mergulhar toda hora, ir na lagoa, subir nas dunas, assistir filmes de terror, fazer dias de SPA e depois ainda perder horas batendo perna no centro de Floripa, me diverti muito com as minhas primas (e as amigas de uma delas). E ainda deu para ouvir conselhos sobre escolha profissional e vestibular em geral vindos das vozes da experiência: os tios preocupados com os nossos futuros. Gosto muito de saber que eles vão me apoiar seja qual for minha decisão.

Amo passar minhas férias lá e espero ir novamente no próximo ano, e no outro, e no outro, e no outro. O único dia ruim foi quando recebi a notícia de que não tinha passado na prova para o cursinho do pré-ITA que eu tanto queria fazer. A moça que me ligou ainda disse que poderia conversar com a diretoria e dizer que ainda tinha interesse, mas para isso eu precisava sair do meu colégio e entrar no deles. E, claro que eu não quero! Apesar de parecer legal mudar de colégio (nunca aconteceu comigo), resolvi estabilizar um pouco as coisas e me focar de vez. Chega de mudanças por um tempo! Adoro mudar, mas se eu não parar de ser tão impulsiva, nunca mais termino nada. Esse ano estou afim de estudar muito e aproveitar mais ainda os meus amigos, que fizeram tanta falta nas férias.

Quanto ao cursinho… o meu colégio está abrindo uma turma especial que vai forçar as minhas específicas: exatas! Só os 20 melhores (da minha série) na prova da seleção é que vão fazer parte da turma. São mais ou menos 95 pessoas. A demanda nem é tão grande. Será que eu passo? Vou começar a estudar desde já. E mesmo se não der, vou continuar lendo os livros e fazendo milhões de exercícios, me virando sozinha como sempre foi. E ano que vem, no terceiro ano, eu entro pra valer em um cursinho. E aí eu já vou ter a base dos assuntos que vou aprender nos livros. Já fiz até uma lista dos que eu quero. Ai, sabia que esse dia chegaria: de volta à vida de estudante.

E vocês, estão lidando bem com o fim das férias ou são sortudos que só voltam a se mexer em março?

Programas vazios… com limite

By Gabi Magnani, December 14, 2011 5:57 pm

Estou voltando, finalmente, dos meses de preparação para o vestibular seriado. Não consegui a nota que eu tinha planejado no começo do ano, mas acho que fui bem, comparando com as outras pessoas e também com o nível da prova em relação ao ano passado. Acertei 65 questões em 90, ou seja, 72,2% (eu tinha escrito 64 em 88, porque acabei só decorando a porcentagem. Mas, um anônimo me corrigiu nos comentários, ops). Depois de alcançar o objetivo do ano, estou de férias e sem tocar em um livro de física há duas semanas (!!!!).

Quanto ao texto, desta vez, resolvi falar sobre uma coisa que me incomodou muito durante o ano e que até discuti com meu pai algumas vezes. É engraçado como as coisas que não nos estimulam a pensar prendem tanto a nossa atenção. As histórias previsíveis, os personagens e as situações clichês ganham o interesse da grande maioria. Talvez isso explique o nível de audiência que os programas de TV vazios (culturalmente falando) obtêm. Mas isso não é de todo mal. Certamente precisamos de alguma coisa que, mesmo não acrescentando nada, sirva para nos divertir e tirar um pouco nossos pensamentos da realidade. Para isso servem as novelas, as comédias românticas em geral e os programas de auditório. Claro que podemos nos divertir com programas mais inteligentes também. Mas todo mundo tem aquele programa bobinho que nos faz deitar no sofá e ficar só olhando a história correr… sem precisar pensar em nada.

Todos têm direito de gostar de qualquer coisa. O problema é que, atualmente, a mídia só vende isso. Dificilmente passa algum programa realmente interessante, que faça os espectadores pensarem de verdade, que apresente um novo ponto de vista ou uma nova ideia. O que também não está errado, já que as pessoas não ligam a TV procurando conhecimento. Elas procuram entretenimento. Mas daí para ficar dependente é um passo. Nosso cérebro começa a se viciar em histórias “mastigadas”, começa a se acomodar com os padrões e procurar outra coisa, fora dessa zona de conforto, fica muito trabalhoso.

E isso não é exclusividade das telas: a mesma coisa acontece na leitura. Se você quiser, aposto que acha muita besteira para ler por aí. O que estou dizendo é que, apesar de ser saudável deixar se levar por esse tipo de diversão de vez em quando, é três vezes mais saudável saber sair dela quando chega a hora. Sem ficar dependente. Quantos noveleiros você conhece? Daquele tipo que não consegue sair de casa sem saber o final do capítulo, mesmo sendo previsível? Ou mesmo quando a novela está passando pela segunda vez?

Nada em excesso faz bem. O jeito é continuar com esses costumes (de maneira controlada) e se forçar, às vezes, a ver uma coisa um pouco mais difícil. Ainda mais nos anos anteriores ao vestibular, onde um estímulo a mais faz uma grande diferença na prova. Mas e você, já percebeu que estava perdendo tempo com alguma série ou programa desse tipo? Me conta aí, nos comentários.

As regras da vida

By Gabi Magnani, October 9, 2011 2:43 pm

Eu fiz ballet clássico, com idas e vindas, por nove anos. Enjoava, saía, ficava com saudade e voltava. Da última vez que saí, passei mais ou menos um ano e meio fora. E nesse tempo eu tentei achar outra coisa que conseguisse substituir a dança.

Primeiro tentei futebol. Eu era a única menina da minha turma e não jogava nada bem. Mas fui evoluindo a cada aula e hoje eu até sei quem é a bola. Também tentei atletismo e natação, mas desanimei logo. Depois foi a vez da aula de música, em que aprendíamos a tocar o básico de vários instrumentos. Fiz aula de violão, que tinha a parte teórica e de canto, mas saí um mês antes de entrar para a parte prática. Passei seis meses fazendo aulas de ritmo (dança), em que toda semana a professora trazia um ritmo novo e ensinava novos passos. Eu gostava muito, mas a frequência das aulas diminuiu e a qualidade também baixou. Perdi um pouco da minha flexibilidade e esqueci de alguns movimentos. Quando voltei para o ballet, foi muito difícil pegar o jeito de novo.

Passei a ir todos os dias para ter aulas e ensaiar. Fazia parte de duas turmas e eu me cobrava muito. Quando não conseguia fazer uma pirueta certo ou qualquer outro passo, voltava para casa chorando. Eu me esforcei muito para conseguir fazer a apresentação do final do ano (que foi uma variação de um solo do ballet Raymonda) e mesmo assim, não consegui o resultado que queria. Então, decidi que era hora de deixar as aulas de vez.

Há muito tempo atrás, quando eu ainda era do ensino fundamental (no ano passado), era ótimo ter compromisso com o ballet, me esforçar e obter resultados com o passar dos meses. Mas no ensino médio, fica muito mais complicado: estou em época de vestibular (o seriado, que fazemos a primeira fase no primeiro ano), que não deve ser meu único, mas é o principal foco. E como eu saía das aulas de ballet emocionalmente arrasada, isso refletia nos meus estudos e ocupava bastante tempo no meu dia-a-dia. Uma coisa que deveria ser prazerosa, começou a ser um peso. Apesar de gostar muito, não cabia mais na minha rotina.

Então, entrei na academia. Acho que, a longo prazo, foi uma boa escolha, porque assim posso continuar fazendo exercícios sem me cobrar tanto. Posso faltar em semanas de prova e não preciso justificar para os professores. Fora que posso escolher o melhor horário para ir. Lá, faço aulas de dança (que não são tão puxadas quanto o ballet, mas que dão para matar um pouco da saudade), além de malhar e participar de algumas outras atividades aeróbicas. Só preciso fazer o exercício e pronto, sem competições, sem perfomances e sem cobranças (dos outros e, principalmente, de mim mesma).

Sinto falta de realmente me dedicar a um esporte, de ver minha melhora e superar meus limites. Quem sabe mais tarde? Vida de pré-vestibulando é assim mesmo: temos que ceder algumas coisas das quais gostamos. É hora de estudar muito, fazer uma prova incrível e garantir que, no futuro, vou ter tempo para a dança ou que quer que seja. E assim como no futebol, que eu só sei as regras e olha lá, eu também estou aprendendo na vida. Eu ainda não sei se essa decisão foi a certa, mas temos que tomar atitudes (pequenas, como essa, ou grandes) o tempo inteiro, mesmo sem ter certeza das consequências. Se não der certo, depois se dá um jeito. Como no futebol, onde às vezes um drible dá errado mas a bola acaba voltando para o seu pé. Daí é só uma questão de chutar para o gol, desde que você saiba qual o lado certo.

Frustração pós-derrota

By Gabi Magnani, September 22, 2011 12:25 am

Vocês vão me perdoar algum dia? Depois de mais de um mês sem postar nenhum texto, eu resolvi voltar. A verdade é que estou me dedicando a outras coisas no meu horário livre, além de ter viajado, passado por semanas de provas e outras coisinhas pessoais que me fizeram sair da rotina. Mas e daí? O importante é que eu voltei de vez e eu estou me comprometendo a fazer um texto por semana. Me desculpem, eu sou uma blogueira muito indisciplinada. Mas voltando ao texto…

Depois de muita ansiedade, o ponto de corte da OBF (Olimpíada Brasileira de Física que eu comentei no texto passado) para a 3ª fase saiu: 46 pontos (Não sei como foi o sistema da contagem, mas acho que a nota máxima era 80). Eu acertei 45. O meu professor de física pediu revisão da prova para os que tiraram notas próximas como a minha, mas pediu para que não alimentássemos esperanças. Onde eu quero chegar, é: eu estudei muito e me esforcei, e mesmo assim não consegui passar. Como lidar com essa frustração?

Se isso tivesse acontecido há alguns meses, eu com certeza me permitiria chorar por três dias seguidos. Mas desde lá, eu comecei a me dedicar bem mais do que já me dedicava aos estudos, a acompanhar cada décimo das minhas notas, a fazer todos os exercícios e a ler mais. Eu amadureci bastante também. Então, hoje, o modo como lidei com isso foi bem diferente.

Às vezes, mesmo depois de muito esforço, não conseguimos o que queremos. Essa é a verdade: às vezes, nem com talento, esforço, sorte ou que quer que seja, conseguimos alcançar o objetivo. E é para ser assim mesmo: algumas ganhamos e outras perdemos. Não é fácil descobrir que o tempo que investimos nisso foi em vão (claro que a longo prazo, nenhum tipo de esforço para a realização profissional será em vão. Mas estamos falando de agora) e que não fomos valorizados pela nossa capacidade como sonhamos.

Frequentemente, os fatores para não se conseguir alguma coisa não estão relacionados à capacidade. Os obstáculos que nos submetemos exigem outras coisas tão importantes quanto, como tranquilidade e boa preparação na véspera.

No meu caso, acho que o maior fator (além de poder ter estudado mais) foi a falta de atenção na hora de fazer os cálculos. Fiquei nervosa e me auto-sabotei (como disse aqui). Na próxima vez, agora que já identifiquei a causa, me prepararei melhor e tomarei mais cuidado. Mas para mim não é fácil aceitar isso: sou bastante competitiva. E ainda mais em relação à física, que é uma das minhas específicas, eu adoro ensinar/ajudar e nunca admito estar errada sobre questão nenhuma.

Ok, é uma porcaria perder ou não passar no que queremos. Significa que o nosso esforço não foi o suficiente ou que não entendemos alguma coisa no meio do processo. Então se você, como eu, seguiu todos os passos (planejar, estudar, botar em prática, acreditar, rezar, fazer macumba etc) e mesmo assim não conseguiu, se permita ficar triste por um tempo. Mas não deixe que isso atrapalhe futuros projetos.

Apesar do impulso de ficar revoltada e triste, não me deixei ficar remoendo a notícia porque estamos muito próximos do vestibular (aqui em Recife temos a UPE, onde fazemos o vestibular seriado no 1º ano) e, com certeza, não quero que isso interfira no meu resultado ou me deixe mais nervosa ainda.

Esse é o jeito: continuar estudando e acreditar que resultados ruins podem aparecer. Se a tentativa não foi boa, pelo menos valeu como experiência. Se realmente não aceitarem a revisão da prova (certo, eu continuo alimentando esperanças!), o que resta é me dedicar às outras coisas e tentar de novo no ano que vem. É isso aí. Admitir a derrota é o primeiro passo, não é?

Como se auto-boicotar e não chegar a lugar nenhum

By Gabi Magnani, August 18, 2011 2:20 am

Devo até ter comentado no antigo blog, ano passado, quando comecei a participar da Olimpíada Brasileira de Física (OBF). Não me preparei direito porque eu só queria fazer por experiência mesmo. Primeiro grande erro. Acabei passando, bem na média, para a segunda fase. Estudei um pouco mais para ir para a terceira, mas acabei não passando.

Este ano foi bem diferente. Desde o começo do ano, eu estava indo uma vez por semana às aulas específicas para esse tipo de olimpíada e vinha estudando bastante também. Fiz a primeira fase com certeza de que iria passar (já que eu tinha a experiência do ano passado) e comecei a me preparar para a segunda. No dia anterior à prova, eu só conseguia pensar em uma coisa: “Não estou preparada o suficiente. Terão pessoas muito melhores do que eu lá”. E já na prova, eu pensava “O que estou fazendo aqui?”. Mesmo sabendo que eu tinha estudado e fixado todas as fórmulas, aprendido e praticado todos os exercícios, eu estava me desmotivando. Isso se chama auto-boicote.

É como se você tivesse medo de se frustar e escolhesse se preparar logo para o pior. Mas como já dizia Richard Bach (autor de Fernão Capelo Gaivota): “Mais cedo ou mais tarde, aqueles que vencem são aqueles que acham que podem”. E é verdade. Não adianta absolutamente nada se preparar por dez anos e se sentir derrotado antes da luta.

Eu aprendi que às vezes tenho que correr o risco de perder e de ficar mal. Se eu não alcançar meu objetivo, ótimo, pelo menos eu posso falar que fiz o meu máximo e que me prepararei ainda melhor para a próxima. O que não vale é achar que o resultado ruim vai durar para sempre e não tentar de novo. Vale a pena tentar, sim. Nem que seja para cair e se levantar mais forte depois.

E quanto à minha prova de física? Mais ou menos no meio da prova, cansei dos pensamentos negativos e esvaziei minha cabeça. Pensei “Eu me preparei muito para chegar até aqui e só eu posso me derrubar. E não as outras pessoas”. Consegui fazer uma boa prova, mas ainda não sei o resultado. Mas, quer saber? Em comparação ao ano passado, eu aprendi milhões de coisas novas. E é isso que vale (eu espero).

O primeiro passo é entender que você é capaz de qualquer coisa, só basta determinação e vontade (que é o grande diferencial e o que falta para a maioria das pessoas). Desenvolva a auto-confiança. Se você não acredita em si mesmo, quem vai acreditar?

Qual livro levar para uma ilha deserta?

By Gabi Magnani, August 3, 2011 2:37 am

Quando eu treino minhas redações, normalmente procuro sobre temas já usados em vestibulares, escolho um e começo a escrever. Hoje eu estava treinando com um sobre “Conviver com as diferenças” e blá, blá, blá. Mas o texto estava ficando uma droga e bem clichê. Procurei mais alguns e tropecei neste: “Se você fosse para uma ilha deserta qual livro levaria consigo?”. Alguém tem alguma dúvida de que esse é muito mais legal?

Quer saber, mesmo? Com certeza eu pensaria muito antes de fazer a minha escolha. Afinal, teria que ler e reler o tal livro várias vezes. Pensei em um livro de piadas, mas como o humor se baseia no imprevisível, com um tempo eu não acharia mais graça alguma. Eu poderia levar um livro didático de algum assunto que eu gosto, algum que tenha muitos exercícios de física, por exemplo. Mas depois de um tempo eu também teria feito e refeito todos os exercícios. E então, o que mais eu aprenderia?

E um livro de ficção, daqueles com muito detalhes? Eu poderia ler várias vezes e depois voltar para minha parte preferida. Parece a opção mais divertida. Eu pensei também em algum livro do Carl Sagan, que foi um grande cientista e astrônomo. Nos livros dele, apesar de contar uma estória (fictícia), ele também interrompe o decorrer das situações para falar um pouco sobre suas teorias e pensamentos. Assim eu teria dois gêneros textuais diferentes em um mesmo livro.

Mas tem um problema. Os livros do Carl Sagan normalmente não ultrapassam a página 400. E imaginando o tempo livre que eu teria na ilha deserta, seria uma estupidez tremenda levar um conjunto de frases tão breves.

Então tomei minha decisão. Eu levaria um livro em branco e escreveria, eu mesma, várias histórias e contos. Ficção, romance, suspense, terror (bom, acho que este eu não faria, contando que vou estar sozinha numa ilha deserta) e alguns trechos de divulgação científica dos quais não lembraria onde li. E mentiria sobre as milhares de aventuras que eu supostamente viveria na temporada que passei na ilha. Mas iria vender como história verídica! Assim, um dia, meu livro faria sucesso. Imagina só, um livro onde a própria autora arranjou um tempinho livre entre uma grande aventura e outra para contar ao mundo suas experiências na tal ilha.

Qual livro você levaria para uma ilha deserta?

Bloqueio criativo e a minha solução

By Gabi Magnani, July 26, 2011 10:21 pm

É cômico quando os escritores têm bloqueios criativos. Levei um tempo para descobrir o que me bloqueava. Eu tinha a mania de procurar as palavras exatas e pensar em todas as sacadas que eu ia usar no texto, antes mesmo de começá-lo. Ao escrever uma frase, eu me certificava de que ela ia passar a impressão certa e via se ela não tinha informações demais. Consequentemente,  eu demorava para desenvolver a ideia geral. Foi então que, numa conversa com meu pai, há um tempão atrás, eu descobri uma coisa.

O primeiro texto é um rascunho. Ninguém vai ler, ninguém vai julgar suas ideias e você pode se expor o quanto quiser. Depois você pode apagar o que não ficou legal e o que não deve ser dito. O autor começa com a história, cria os personagens, cria situações. Mas em algum momento, o texto começa a andar sozinho e seu único trabalho é escrever tudo o que vem à cabeça.

Erros gramaticais, informações sem fontes e frases desnecessárias devem ser olhados e revisados. Mas, para mim, é muito mais eficiente quando deixo isso para um segundo momento. Primeiro, é a hora de jogar as ideias no bloco de notas, façam elas sentido ou não. Depois eu reviso, retiro os erros, coloco mais situações, reviso novamente. E tiro as coisas que não me agradaram. Só assim consigo fazer uma história ir em frente.

O que os blogueiros e escritores em geral que têm frequentemente esse tipo de bloqueio têm que entender é que, a boa escrita vem da prática. Nem todos os textos precisam sair perfeitos de primeira. Esse perfeccionismo só bloqueia as futuras histórias. E se você está desenvolvendo uma história fictícia, por exemplo, e vai jogando as situações… mais tarde você vai ter total liberdade de tirar o que é irrelevante e adicionar novas coisas, também. O ponto inicial vai fazer muita diferença mais tarde, quando você poderá trocar as palavras repetidas ou qualquer coisa para deixar a leitura mais gostosa. Mas o importante é que todas as ideias estão ali, no papel, desembaraçadas. Como organizá-las é outra coisa.

Eu escrevo algumas histórias fictícias (não para o blog) e nesses últimos dias, eu travei e não estava conseguindo avançar, sempre parava naquela mesma situação. E isso acontecia porque eu escrevia três parágrafos, voltava pra revisar e apagava metade dele. Nunca saía do lugar. Eu tive que relembrar dessa técnica de escrever tudo de uma vez e soltar a mente para conseguir continuar. E resolvi compartilhar aqui.

E vocês, o que fazem para evitar o bloqueio criativo?

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